GTs apresentam propostas para o setor museal do RJ

Após dois dias de apresentações e debates sobre alguns dos principais instrumentos de gestão oferecidos pelo Ibram ao campo museal brasileiro, em diálogo com a realidade local, o terceiro e último dia de Conexões Ibram Rio de Janeiro foi dedicado à discussão de agendas prioritárias para o setor museal fluminense em Grupos de Trabalho.

Durante toda a manhã e tarde, foram debatidos os temas Plano Estadual Setorial de Museus, Legado Cultural, iMuseus, Estatuto dos Museus e Estratégias de Fomento e Financiamento aos Museus.

Dividido em Grupos de Trabalho, o público presente, composto por profissionais e gestores da área, elaborou propostas com base nas palestras apresentadas e nas ações contempladas no Termo de Cooperação, assinado entre Ibram e Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, na quarta-feira (26).

“A ideia é estabelecer uma agenda de trabalho de curto e médio prazo entre atores do estado e o Ibram”, explica a coordenadora de Produção e Análise da Informação do Ibram, Mayra Resende.

A programação do Conexões Ibram Rio de Janeiro foi encerrada com apresentação do Quinteto de Jazz do Corpo de Bombeiros.

Texto: Ascom/Ibram
Fotos: Caru Ribeiro -SEC-RJ

Três perguntas para Felipe Evangelista – antropólogo do Ibram-RJ

Vinculado à Coordenação de Museologia Social e Educação do Ibram no Rio de Janeiro, o antropólogo Felipe Evangelista tem atuado na ponte entre o Instituto Brasileiro de Museus e as iniciativas de museologia social desenvolvidas em território fluminense.

Nesta quinta-feira (27), foi um dos palestrantes do Conexões Ibram Rio de Janeiro, quando falou sobre a experiência dos Pontos de Memória no estado. Conversamos com ele sobre o tema, que tem feito do Rio de Janeiro e do Brasil referência internacional neste campo.

Como a museologia social surge e conquista espaço no Rio de Janeiro?
Diversas experiências do passado podem hoje ser entendidas como associadas à museologia social, mas podemos citar como um marco inaugural a criação do Ecomuseu de Santa Cruz, reconhecido como tal em 1992. A Eco 92 foi um marco no surgimento de várias experiências deste tipo, sob a liderança do professor Mário Chagas (UNIRIO/Ibram).

Outros marcos são a fundação do Museu da Maré, em 2005, e do Museu de Favela (MUF), primeiro Ponto de Memória do Rio de Janeiro, criado em 2009 a partir de uma ONG autônoma que já tinha um trabalho desenvolvido neste sentido.

Hoje temos seis Pontos de Memória no Rio de Janeiro, sendo três na capital, um na baixada fluminense e outro no interior do estado. Além deles, temos vários Pontos de Cultura, programa “primo” do Pontos de Memória, que fazem um trabalho de museologia social de referência na área. A museologia social começa no Rio associada à política de segurança, mas este conceito se expandiu abarcando hoje uma maior pluralidade de iniciativas.

De que forma a museologia social pode contribuir para o setor museal do Rio e para a realidade do estado de forma geral?                                                                       A museologia social possibilita contar uma História mais diversa, tornar evidente que uma certa História foi classista e permitir uma visão mais abrangente, na qual as pessoas conseguem se reconhecer. Experiências deste tipo permitem ao mesmo tempo contar outra História e contribuir para a formação de um público de museus mais amplo e diversificado.

Quais são os principais desafios e perspectivas dos Pontos de Memória e museus comunitários do Rio?                                                                                                            É preciso formar redes, organizar uma pauta coerente e negociada com os museus comunitários. Precisamos fortalecer o intercâmbio entre quem está à frente dos museus e seus possíveis públicos, entre comunidades – para “cruzar memórias” e promover a colaboração mútua – e também entre a museologia social e outras políticas sociais, de modo que a população se aproprie de seus museus e faça uso deles enquanto espaços de transformação.

(Foto: Caru Ribeiro | SEC-RJ)

Rio discute legado dos megaeventos esportivos para o setor de museus

Que desafio e legado os megaeventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos – Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 – podem trazer para o setor museal? A última palestra do Conexões Ibram Rio de Janeiro, no final da tarde desta quinta-feira (27) colocou o tema em discussão.

A apresentação de Patrícia Albernaz, da Coordenação de Difusão e Desenvolvimento de Parcerias do Ibram, abordou o desafio de estabelecer um diferencial de serviços para o público que visitará o Brasil durante os dois megaeventos, que diz respeito à área da cultura de forma especial.

“O setor cultural tem uma tarefa importante no sentido de mostrar nossa tradição, história, identidade e contribuir para uma visão positiva do Brasil no imaginário daqueles que acompanharão os jogos no Brasil e no exterior. É preciso traduzir a diversidade brasileira, e os museus são espaços de excelência para isso”, disse.

Albernaz destacou que tais desafios são maiores para a cidade do Rio de Janeiro. Lembrou ainda que a Copa do Mundo e as Olimpíadas representam uma oportunidade para que o setor de museus alcance outro patamar de investimentos e um diálogo mais estreito com o setor de Turismo, que traria benefícios para os dois setores.

A programação vespertina do segundo dia de Conexões Ibram Rio de Janeiro foi aberta com palestra de Adna Teixeira, da Coordenação de Fomento e Financiamento do Ibram. Na oportunidade, foram feitos esclarecimentos sobre os mecanismos oferecidos pelo Ibram para o fomento e financiamento de projetos no setor museal.

O público presente participou de forma intensa do debate tirando dúvidas e fazendo críticas e sugestões ao modelo de financiamento da área. A expectativa é de que o tema continue a ser discutido entre a Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro (SEC-RJ) e o Ibram no âmbito do Acordo de Cooperação firmado nesta quarta-feira (26), na abertura do evento.

Pela manhã, o público assistiu a falas sobre Gestão de Riscos ao Patrimônio Musealizado Brasileiro e Pontos de Memória.

A programação do Conexões Ibram Rio de Janeiro segue nesta sexta-feira (28) com reuniões e apresentações abertas de Grupos de Trabalho (GTs) sobre Plano Estadual Setorial de Museus, Legado Cultural, iMuseus, Estatuto dos Museus e Estratégias de Fomento e Financiamento aos Museus.