Três perguntas para Felipe Evangelista – antropólogo do Ibram-RJ

Vinculado à Coordenação de Museologia Social e Educação do Ibram no Rio de Janeiro, o antropólogo Felipe Evangelista tem atuado na ponte entre o Instituto Brasileiro de Museus e as iniciativas de museologia social desenvolvidas em território fluminense.

Nesta quinta-feira (27), foi um dos palestrantes do Conexões Ibram Rio de Janeiro, quando falou sobre a experiência dos Pontos de Memória no estado. Conversamos com ele sobre o tema, que tem feito do Rio de Janeiro e do Brasil referência internacional neste campo.

Como a museologia social surge e conquista espaço no Rio de Janeiro?
Diversas experiências do passado podem hoje ser entendidas como associadas à museologia social, mas podemos citar como um marco inaugural a criação do Ecomuseu de Santa Cruz, reconhecido como tal em 1992. A Eco 92 foi um marco no surgimento de várias experiências deste tipo, sob a liderança do professor Mário Chagas (UNIRIO/Ibram).

Outros marcos são a fundação do Museu da Maré, em 2005, e do Museu de Favela (MUF), primeiro Ponto de Memória do Rio de Janeiro, criado em 2009 a partir de uma ONG autônoma que já tinha um trabalho desenvolvido neste sentido.

Hoje temos seis Pontos de Memória no Rio de Janeiro, sendo três na capital, um na baixada fluminense e outro no interior do estado. Além deles, temos vários Pontos de Cultura, programa “primo” do Pontos de Memória, que fazem um trabalho de museologia social de referência na área. A museologia social começa no Rio associada à política de segurança, mas este conceito se expandiu abarcando hoje uma maior pluralidade de iniciativas.

De que forma a museologia social pode contribuir para o setor museal do Rio e para a realidade do estado de forma geral?                                                                       A museologia social possibilita contar uma História mais diversa, tornar evidente que uma certa História foi classista e permitir uma visão mais abrangente, na qual as pessoas conseguem se reconhecer. Experiências deste tipo permitem ao mesmo tempo contar outra História e contribuir para a formação de um público de museus mais amplo e diversificado.

Quais são os principais desafios e perspectivas dos Pontos de Memória e museus comunitários do Rio?                                                                                                            É preciso formar redes, organizar uma pauta coerente e negociada com os museus comunitários. Precisamos fortalecer o intercâmbio entre quem está à frente dos museus e seus possíveis públicos, entre comunidades – para “cruzar memórias” e promover a colaboração mútua – e também entre a museologia social e outras políticas sociais, de modo que a população se aproprie de seus museus e faça uso deles enquanto espaços de transformação.

(Foto: Caru Ribeiro | SEC-RJ)

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