Três perguntas para Maurício Rafael – coordenador do SEM-SC

O Sistema Estadual de Museus de Santa Catarina (SEM-SC), vinculado à Fundação Catarinense de Cultura (FCC), é considerado um dos fatores responsáveis pelo estágio avançado de consolidação da Política Nacional de Museus em território catarinense.

Durante a passagem do Conexões Ibram por Florianópolis, conversamos com seu coordenador, o museólogo Maurício Rafael, para entender melhor como o SEM-SC chegou ao que é hoje e como tem atuado frente aos desafios do campo museal no estado.

 

Como o Sistema Estadual de Museus de Santa Catarina foi constituído?
Podemos resumir a história do SEM-SC em três fases. A primeira começa em 1991, quando o sistema foi criado. Nessa época, ele funcionava mais como uma ferramenta de assessoramento do que como uma sistematização de políticas públicas de fato.

O despertar para a necessidade de mobilizar e articular profissionais que atuam em museus em Santa Catarina veio apenas em 2003, com o lançamento da Política Nacional de Museus. Foi naquele momento que percebeu-se a importância de institucionalizar também uma Política Estadual de Museus. Convocamos então a participação de pessoas de todas as regiões do estado, ligadas ao setor, que através de muita discussão formularam a nossa Política Estadual de Museus, lançada em 2004.

Esse processo continuou nos anos seguintes: em 2006, foi sancionado decreto que legitimou o SEM-SC como agente articulador desta política; a partir de 2010, fizemos uma reformulação e decidimos focar mais na nossa realidade e apostar na interiorização.

Começamos a perceber quão positivo era isso, porque cresceu muito a participação de profissionais que atuam na área e do público interessado em regiões onde as políticas não chegavam. Esse processo se completou em 2011 com a aprovação de decreto que dividiu o estado em sete regiões, tomando como base a divisão adotada pelo IBGE. Esta é a terceira fase do SEM-SC, que vivemos agora, com ações replicadas em todas as regiões.

Então o que é importante destacar é que o nosso Plano Estadual de Museus não foi simplesmente instituído por uma lei, mas criado a partir de muita discussão e, a exemplo do Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM), a partir de reformulações que foram entendidas como necessárias no processo.

Quais são os principais desafios do setor de museus catarinense hoje?
A grande maioria dos museus de Santa Catarina são de pequeno porte com acervos de diversas tipologias. Eu diria que nosso maior desafio hoje é dar a estes museus um entendimento melhor sobre o que é museu e do reconhecimento e responsabilidade que isso traz perante a sociedade. Em resumo, nosso desafio é adequar todos os nossos museus à Lei 11.904 [que instituiu o Estatuto de Museus], e é neste sentido que temos investido na realização de capacitações, palestras e no apoio direto a estes museus.

Qual a expectativa do SEM-SC com relação à parceria firmada com o Ibram?
Entendo que esta parceria significa uma nova fase para o nosso setor de museus, e esperamos que ela venha nos legitimar e fortalecer ainda mais junto à sociedade. Esperamos contar com o apoio e expertise do Ibram em novas ações de conscientização, capacitação e qualificação com relação a temas tão importantes como os abordados no Conexões Ibram, a exemplo da questão do Patrimônio em Risco, que diz muito a respeito da nossa realidade. É uma nova etapa que se inicia.

Texto: Ascom/Ibram
Foto: Fernanda Peres/FCC

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