Público sergipano debate dados museais, marcos legais do setor e patrimônio em risco

A necessidade de colher e sistematizar informações sobre o campo museal, os marcos legais do setor e os riscos ao patrimônio musealizado estiveram no centro do debate no primeiro dia do Projeto Conexões em Sergipe, que teve início na manhã desta terça-feira (27).

Cerca de 40 representantes do setor museal sergipano participaram das três apresentações iniciais do evento, que acontece no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju (SE) com a participação de referências técnicas do Ibram em diversas áreas da gestão museal.

A programação foi aberta com fala da chefe do Cadastro Nacional de Museus, Karla Uzêda, sobre o programa iMuseus, que objetiva o levantamento e sistematização de informações sobre o setor museal.

A museóloga apresentou dados sobre a realidade do setor em âmbito nacional, além de informações sobre a situação dos museus sergipanos, sublinhando a necessidade de que as instituições museológicas locais colaborem com o trabalho contínuo de colheita de dados realizado pelo Ibram.

Na sequência, o público assistiu a fala das técnicas Ana Maltez, do Departamento de Processos Museais (DPMUS) e Janete Jane, do Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus (DDFEM), sobre o Estatuto de Museus e o Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM). A apresentação teve grande participação do público, que teve a oportunidade de tirar dúvidas e debater a respeito dos marcos legais do setor museal e sua relação com a realidade sergipana.

A programação do primeiro dia foi encerrada com apresentação da historiadora Eneida Queiroz sobre Gestão de Riscos. A técnica do Departamento de Processos Museais do Ibram apresentou e debateu com os participantes os principais riscos ao patrimônio musealizado identificados pelo órgão, chamando atenção para o fato de que apenas um dos museus cadastrados junto ao Ibram em Sergipe declarou possuir Plano de Segurança.

A edição sergipana do projeto Conexões Ibram prossegue nesta quarta-feira (28) com apresentações sobre o programa Pontos de Memória e as Estratégias de Fomento e Financiamento oferecidas pelo Ibram ao setor museal brasileiro, além de palestra e da realização de Grupos de Trabalho sobre temas considerados prioritários para o campo museal de Sergipe.

(Fotos: Bruno Aragão – ASCOM/Ibram)

Programa iMuseus: informação de qualidade sobre os museus brasileiros

Na manhã de abertura do Conexões Ibram em Salvador, a Coordenadora Geral de Sistema de Informações Museais do Ibram, Rose Moreira de Miranda, abriu a mesa sobre o Programa iMuseus destacando que “Informações de qualidade sobre os museus são fundamentais para subsidiar a construção de melhores políticas públicas e adensar o conhecimento sobre o campo”.

Ela explicou que o Cadastro Nacional de Museus, criado em 2006, tem o intuito de abarcar, em um único instrumento de coleta, toda a diversidade dos espaços museais brasileiros.

Quem participou da mesa teve a oportunidade de conhecer um panorama dos museus do país. Rose explicou que há uma distribuição desigual dos museus no país, que acompanha uma lógica social e econômica de ocupação do território. “Nesse sentido, percebemos um ‘vazio museal’ no Centro-Oeste, por exemplo” comentou.

Ela também abordou alguns desafios que ainda precisam ser enfrentados. “No que diz respeito à adaptação dos espaços a outros públicos, como deficientes e turistas estrangeiros, ainda precisamos caminhar muito. Outro dado preocupante é o fato de que só 22% dos museus conta com orçamento anual para execução de atividades”, concluiu.

Texto: Ascom/Dimus
Edição: Ascom/Ibram