Pontos de Memória, fomento e finaciamento aos museus no último dia de palestras na PB

Ontem (6), foi o último dia de palestras do projeto Conexões Ibram em Campina Grande (PB), que se encerra hoje (7) com a realização de Grupo de Trabalho (GT) sobre a criação do Sistema Estadual de Museus da Paraíba.

Rafaela Felício, técnica em Assuntos Culturais do Ibram, apresentou o tema Gestão de Riscos aos Patrimônio Musealizado. A questão principal gira em torno dos riscos mais comuns ao patrimônio de museus e os meios de mitigá-los.

Esta semana, o Ibram lançou seu Programa de Serviço Voluntariado, que visa envolver as comunidades em torno da proteção aos acervos museais. Saiba mais sobre o programa.

Outro tema da manhã foi o programa Pontos de Memória, que tem como proposta envolver a comunidade no fortalecimento da memória social por meio de um modelo de gestão participativa – implantado pelo Ibram em 2009, com apoio de outras entidades governamentais.

Para Felipe Evangelista (foto), técnico em Assuntos Culturais do Ibram, a intenção atual é aumentar as conexões do projeto com outras ações do Ministério da Cultura (MinC), como Pontos de Cultura e de Leitura, que têm bases similiares, ou seja, partem de iniciativas da comunidade.

“A memória não é consensual sobre quais histórias devem ser contadas. Por isso a participação da comunidade é importante pra não registrar apenas um determinado aspecto”, salienta Evangelista.

À tarde, após serem apresentadas as atuais estratégias de fomento e financiamento para museus brasileiros, como a Lei de Incentivo à Cultura e os editais do Programa de Fomento aos Museus Ibram 2012,  aconteceu a apresentação do projeto do Museu de Arqueologia de Pilões.

Texto e foto: Ascom-Ibram

Pontos de Memória e Fomento a Museus em pauta no segundo dia do Conexões Ibram Sergipe

“Existem com certeza milhares de pontos de memória em Sergipe. Eles apenas não sabem disso ainda”. A fala do museólogo Valdemar Assis, do Departamento de Processos Museais do Ibram (DPMUS), abriu o segundo e último dia do projeto Conexões Ibram em Sergipe.

O direito à memória esteve no centro da apresentação, que mostrou ao público presente ao auditório do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju (SE), os princípios, método e instrumentos oferecidos pelo programa Pontos de Memória, voltado para a reconstrução e fortalecimento da memória de grupos e comunidades.

Durante a exposição, foram apresentadas experiências de pontos de memória – atualmente já são 163 pontos no Brasil e 15 no exterior. Foram expostas ainda as etapas necessárias à criação de um ponto de memória.  Valdemar Assis lembrou que o primeiro passo é mapear potenciais grupos e comunidades.

“A gente sabe que Sergipe tem inúmeras expressões ligadas ao mar, às culturas indígenas, à matriz afro-brasileira e outras, que merecem ter assegurado seu direito à memória e possuir seus espaços de memória”, disse o representante do Ibram.

O museólogo sublinhou que a proposta do programa é trabalhar com estes grupos a memória de forma viva e dinâmica, como ferramenta de transformação e dignidade social, fortalecendo as tradições locais, a identidade e os laços de pertencimento, além da valorização do potencial local, a impulsão do turismo e da economia local, o desenvolvimento sustentável, a melhoria da localidade de vida e a inclusão. Lembrou que a gestão dos pontos é comunitária e os governos e prefeituras são parceiros estratégicos no mapeamento, acompanhamento e oferta de logística e infraestrutura.

Na sequência, os profissionais de museus, gestores, estudantes de Museologia e militantes do campo museal presentes ao evento acompanharam a apresentação da museóloga Rafaela Almeida, do Departamento de Difusão, Fomento e Economia de Museus (DDFEM) do Ibram, sobre o tema “Estratégias de Fomento e Financiamento aos Museus”. A fala apresentou os instrumentos econômicos oferecidos pelo Ibram para o incremento e sustentabilidade do setor museal brasileiro, destacando os diversos editais do Programa Ibram de Fomento 2012.

Como parte das oportunidades que integram o programa, foi lançado no último dia 19 o Prêmio Pontos de Memória 2012, que vai premiar 60 iniciativas, sendo 50 no Brasil (prêmio de R$ 30 mil cada) e 10 no exterior (com prêmios de R$ 50 mil). Saiba mais aqui.

Três perguntas para Felipe Evangelista – antropólogo do Ibram-RJ

Vinculado à Coordenação de Museologia Social e Educação do Ibram no Rio de Janeiro, o antropólogo Felipe Evangelista tem atuado na ponte entre o Instituto Brasileiro de Museus e as iniciativas de museologia social desenvolvidas em território fluminense.

Nesta quinta-feira (27), foi um dos palestrantes do Conexões Ibram Rio de Janeiro, quando falou sobre a experiência dos Pontos de Memória no estado. Conversamos com ele sobre o tema, que tem feito do Rio de Janeiro e do Brasil referência internacional neste campo.

Como a museologia social surge e conquista espaço no Rio de Janeiro?
Diversas experiências do passado podem hoje ser entendidas como associadas à museologia social, mas podemos citar como um marco inaugural a criação do Ecomuseu de Santa Cruz, reconhecido como tal em 1992. A Eco 92 foi um marco no surgimento de várias experiências deste tipo, sob a liderança do professor Mário Chagas (UNIRIO/Ibram).

Outros marcos são a fundação do Museu da Maré, em 2005, e do Museu de Favela (MUF), primeiro Ponto de Memória do Rio de Janeiro, criado em 2009 a partir de uma ONG autônoma que já tinha um trabalho desenvolvido neste sentido.

Hoje temos seis Pontos de Memória no Rio de Janeiro, sendo três na capital, um na baixada fluminense e outro no interior do estado. Além deles, temos vários Pontos de Cultura, programa “primo” do Pontos de Memória, que fazem um trabalho de museologia social de referência na área. A museologia social começa no Rio associada à política de segurança, mas este conceito se expandiu abarcando hoje uma maior pluralidade de iniciativas.

De que forma a museologia social pode contribuir para o setor museal do Rio e para a realidade do estado de forma geral?                                                                       A museologia social possibilita contar uma História mais diversa, tornar evidente que uma certa História foi classista e permitir uma visão mais abrangente, na qual as pessoas conseguem se reconhecer. Experiências deste tipo permitem ao mesmo tempo contar outra História e contribuir para a formação de um público de museus mais amplo e diversificado.

Quais são os principais desafios e perspectivas dos Pontos de Memória e museus comunitários do Rio?                                                                                                            É preciso formar redes, organizar uma pauta coerente e negociada com os museus comunitários. Precisamos fortalecer o intercâmbio entre quem está à frente dos museus e seus possíveis públicos, entre comunidades – para “cruzar memórias” e promover a colaboração mútua – e também entre a museologia social e outras políticas sociais, de modo que a população se aproprie de seus museus e faça uso deles enquanto espaços de transformação.

(Foto: Caru Ribeiro | SEC-RJ)