Financiamento, turismo e museologia social no 2º dia do projeto em SC

A exemplo do que aconteceu no primeiro dia do Conexões Ibram Santa Catarina, um bom público marcou presença na manhã de hoje (15), em Florianópolis (SC), para a segunda etapa do evento – promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

O debate sobre o tema Estratégias de Financiamento e Fomento aos Museus abriu o dia com fala de Adna Abreu, da Coordenação de Fomento e Financiamento do Ibram. Aspectos legais da questão, editais, emendas parlamentares e outros mecanismos de financiamento à disposição do setor foram abordados.

Na sequência, o museólogo Valdemar de Assis, do Departamento de Processos Museais, trouxe a museologia social para o centro das discussões com fala sobre o programa Pontos de Memória.

Implantado em 2009 pelo Ibram, e ampliado em 2011 com a criação do Edital Pontos de Memória, o programa estimula iniciativas de memória desenvolvidas de forma participativa por grupos sociais diversos. O tema atraiu o interesse dos participantes.

Até o momento, o estado de Santa Catarina, que tem sua população constituída por 27 etnias e uma diversidade de comunidades locais, não possui nenhum ponto de memória.

No encerramento da manhã, a especialista em turismo cultural Ana Cristina Viana, da Coordenação de Difusão e Desenvolvimento de Parcerias do Ibram, falou sobre o tema Qualificação dos Museus para o Turismo, quando destacou a necessidade de que o estado, um dos principais destinos turísticos do país, inclua os museus entre as atrações oferecidas aos visitantes.

O tema do Turismo voltará a ser discutido na etapa final do Conexões Ibram Santa Catarina, que acontece na tarde de hoje, em um dos Grupos de Trabalho (GTs) dedicados a formular propostas práticas para o setor museal catarinense. Um segundo GT discutirá os desdobramentos do Plano Nacional Setorial de Museus para a realidade local.

Texto e foto: Ascom/Ibram

Debate sobre Patrimônio em Risco encerra primeiro dia de Conexões Ibram em SC

Com intensa participação do público presente, uma discussão sobre patrimônio musealizado em risco e a integração de ações públicas fechou o primeiro dia de Conexões Ibram em Florianópolis (SC), nesta terça-feira (14).

Durante a apresentação, que atraiu grande atenção dos profissionais de museus e interessados na área que compareceram ao Centro Integrado de Cultura (CIC) da capital catarinense, foi apresentado estudo de caso sobre o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, cuja sede original foi interditada devido a enchentes que danificaram a edificação desde sua inauguração há 40 anos.

Mais cedo, apresentações sobre Estatuto de Museus e novos instrumentos de gestão e o Plano Nacional Setorial de Museus também despertaram debates entre os participantes.

O primeiro dia foi aberto com apresentação sobre o Programa iMuseus, que trouxe dados sobre a realidade local do setor.  De acordo com o Ibram, Santa Catarina possui 199 museus mapeados, sendo 119 deles cadastrados no Cadastro Nacional de Museus. 28 museus (cerca de 14% do total) estão localizados na capital – uma das menores concentrações do país.

Amanhã (15), serão apresentadas palestras sobre Estratégias de financiamento e fomento aos museus; Pontos de Memória; e Qualificação dos museus para o turismo. Haverá também grupos de trabalho sobre os temas Plano Nacional Setorial de Museus e Museus e Turismo.

Texto: Ascom/Ibram
Foto: Fernanda Peres/FCC

Três perguntas para Maurício Rafael – coordenador do SEM-SC

O Sistema Estadual de Museus de Santa Catarina (SEM-SC), vinculado à Fundação Catarinense de Cultura (FCC), é considerado um dos fatores responsáveis pelo estágio avançado de consolidação da Política Nacional de Museus em território catarinense.

Durante a passagem do Conexões Ibram por Florianópolis, conversamos com seu coordenador, o museólogo Maurício Rafael, para entender melhor como o SEM-SC chegou ao que é hoje e como tem atuado frente aos desafios do campo museal no estado.

 

Como o Sistema Estadual de Museus de Santa Catarina foi constituído?
Podemos resumir a história do SEM-SC em três fases. A primeira começa em 1991, quando o sistema foi criado. Nessa época, ele funcionava mais como uma ferramenta de assessoramento do que como uma sistematização de políticas públicas de fato.

O despertar para a necessidade de mobilizar e articular profissionais que atuam em museus em Santa Catarina veio apenas em 2003, com o lançamento da Política Nacional de Museus. Foi naquele momento que percebeu-se a importância de institucionalizar também uma Política Estadual de Museus. Convocamos então a participação de pessoas de todas as regiões do estado, ligadas ao setor, que através de muita discussão formularam a nossa Política Estadual de Museus, lançada em 2004.

Esse processo continuou nos anos seguintes: em 2006, foi sancionado decreto que legitimou o SEM-SC como agente articulador desta política; a partir de 2010, fizemos uma reformulação e decidimos focar mais na nossa realidade e apostar na interiorização.

Começamos a perceber quão positivo era isso, porque cresceu muito a participação de profissionais que atuam na área e do público interessado em regiões onde as políticas não chegavam. Esse processo se completou em 2011 com a aprovação de decreto que dividiu o estado em sete regiões, tomando como base a divisão adotada pelo IBGE. Esta é a terceira fase do SEM-SC, que vivemos agora, com ações replicadas em todas as regiões.

Então o que é importante destacar é que o nosso Plano Estadual de Museus não foi simplesmente instituído por uma lei, mas criado a partir de muita discussão e, a exemplo do Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM), a partir de reformulações que foram entendidas como necessárias no processo.

Quais são os principais desafios do setor de museus catarinense hoje?
A grande maioria dos museus de Santa Catarina são de pequeno porte com acervos de diversas tipologias. Eu diria que nosso maior desafio hoje é dar a estes museus um entendimento melhor sobre o que é museu e do reconhecimento e responsabilidade que isso traz perante a sociedade. Em resumo, nosso desafio é adequar todos os nossos museus à Lei 11.904 [que instituiu o Estatuto de Museus], e é neste sentido que temos investido na realização de capacitações, palestras e no apoio direto a estes museus.

Qual a expectativa do SEM-SC com relação à parceria firmada com o Ibram?
Entendo que esta parceria significa uma nova fase para o nosso setor de museus, e esperamos que ela venha nos legitimar e fortalecer ainda mais junto à sociedade. Esperamos contar com o apoio e expertise do Ibram em novas ações de conscientização, capacitação e qualificação com relação a temas tão importantes como os abordados no Conexões Ibram, a exemplo da questão do Patrimônio em Risco, que diz muito a respeito da nossa realidade. É uma nova etapa que se inicia.

Texto: Ascom/Ibram
Foto: Fernanda Peres/FCC